"" A Poesia quando chega ...""

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Vitória, Espirito Santo, Brazil
""Eu vivo em carne viva, por isso procuro tanto dar pele grossa a meus personagens. Só que não agüento e faço-os chorar à toa.(...) Ser cotidiano é um vício. O que é que eu sou? sou um pensamento. Tenho em mim o sopro? tenho? mas quem é esse que tem? quem é que fala por mim? tenho um corpo e um espírito? eu sou um eu? "É exatamente isto, você é um eu", responde-me o mundo terrivelmente. E fico horrorizado"". ("Um Sopro de Vida" , Clarisce Lispector)

domingo, 13 de junho de 2010

Mágoas


As mágoas que levo no peito, as peles secas, os olhares fragmentados dos olhos que quase não são meus.

O que sobrou da criança que brincava no quintal, com os amigos.Araçaúna madura, carambola do pé...

Onde foi parar o riso da boca larga. Parece não querer mais servir a alegria esta bocarra.



(pintura do muralista Diego Rivera)

O dia clareava com lua sempre quando eu era menina.Agora só vejo noite escura.

Eu ouvia discos na sala, mamãe chorava no quarto. Comíamos gemada...Ha! A vida era doce, feria às vezes, mas mesmo assim era gentil.

Me apaixonava pelo primo, banhos de cachoeira, bolo de avó.
Todos dormem e eu fico acordada.Me abandono na madrugada.

Batem à porta ...Por diabos atendi?

Era pra ser noite casual. Tornou-se noite onde enterro mas um fragmento do meu olhar.O poeta me iludiu.Pasárgada não existe mesmo!

                                                                                   por Fabrícia Dias