"" A Poesia quando chega ...""

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Vitória, Espirito Santo, Brazil
""Eu vivo em carne viva, por isso procuro tanto dar pele grossa a meus personagens. Só que não agüento e faço-os chorar à toa.(...) Ser cotidiano é um vício. O que é que eu sou? sou um pensamento. Tenho em mim o sopro? tenho? mas quem é esse que tem? quem é que fala por mim? tenho um corpo e um espírito? eu sou um eu? "É exatamente isto, você é um eu", responde-me o mundo terrivelmente. E fico horrorizado"". ("Um Sopro de Vida" , Clarisce Lispector)

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Mente rascunho

Sinto um leve toque do tempo sobre meus olhos. 
Eu e minhas margens traspassadas.
Minha mente rascunho.
E este peso forte da sua ausência contida nesta poesia nada.
Neste verso amassado, sem glossário e sem tradução.

Fabrícia Dias

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Apresentação PEROÁS E CARAMURÚS no Festival : 13/10/2010

VI Festival de Teatro tem início com peça ao ar livre na Praça Costa Pereira

Carlos Antolini
Diversas pessoas na Praça Costa Pereira assistindo peça de teatro
A Praça Costa Pereira parou para assistir ao espetáculo, que retrata uma história tradicional de Vitória
Peça de teatro sendo encenada da Praça Costa Pereira
A peça conta a rivalidade entre as irmandades de São Benedito do Rosário, os Peroás; e São Benedito do Convento de São Francisco, os Caramurus
Um santo e duas congregações religiosas. Peroás e Caramurus – Uma Saga da Ilha, de autoria dos dramaturgos capixabas Saulo Ribeiro e Nieve Matos, utiliza o teatro de rua e diversas vertentes estéticas para contar de forma lúdica um fato histórico ocorrido em Vitória.
A peça abriu as atividades do VI Festival Nacional de Teatro Cidade de Vitória na Praça Costa Pereira às 12h. O Festival começou nesta segunda (13) e se estende até o dia 24, com programação gratuita em teatros e espaços alternativos da Capital. São 32 espetáculos para assistir num total de 43 apresentações.
Peroás e Caramurus
A peça conta como surgiram as irmandades de “São Benedito do Rosário”, vulgo Peroás; e “São Benedito do Convento de São Francisco”, os Caramurus. Tudo por causa do roubo da imagem de São Benedito que, por causa da chuva, não pôde sair na procissão.
Para a diretora da peça, Nieve matos, abrir o VI Festival Nacional de Teatro Cidade de Vitória é motivo de orgulho. Ela também salienta a importância do evento para o teatro capixaba. “Nós temos a necessidade de ver espetáculos de outros lugares. É um aprendizado em termos de linguagem cênica”, diz.
O funcionário público Leonardo Viza, 24 anos, gostou de ver uma peça de teatro na rua sendo a primeira do Festival. “Valorizar o teatro na rua e, principalmente, os espetáculos locais é sempre positivo”, destaca. A empresária Naiara Roncarati, 30 anos, foi à Praça Costa Pereira só para assistir à peça. “É interessante oferecer esse tipo de atividade teatral tão acessível, acho importante para a divulgação das peças locais e para a formação de público também”, sublinha.
O secretário de Cultura de Vitória, Alcione Pinheiro, convidou as pessoas para acompanharem a programação do Festival ao longo dos 11 dias de atividade. E lembrou que a programação também é feita de atividades formativas, como as palestras e oficinas. “O Festival de Teatro é um espaço de construção e consolidação das artes cênicas em Vitória”.
Matéria da página da Prefeitura de Vitória : http://www.vitoria.es.gov.br/secom.php?pagina=noticias&idNoticia=4608

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Peroás e Caramurus abre Festival Nacional de Teatro "Cidade Vitória"


Peroás e Caramurus abre Festival Nacional de Teatro "Cidade Vitória". Dia 13/10, as 12h. Na Praça Costa Pereira. Prestigiem o Teatro Capixaba!

Peroás e Caramurus!!!!



O espetáculo de Rua ''PEROÁS E CARAMURUS: Uma Saga da Ilha"" é autoria dos dramaturgos capixabas Saulo Ribeiro e Nieve Mattos.


"" Na Saga do processo de criação cênica, entramos no mar da ludicidade.Decodificamos a história real, amplificamos as ações dos atores, pensamos música enquanto partitura corporal, figurino como expansão do corpo.
Jogamos nossa rede(...) pescamos o realismo fantástico e a estética barroca, a polifonia das vozes e dos instrumentos não-convencionais, a resignificação do espaço e dos objetos de cena, o dramático e o distanciamento atoral.""

"É preto São Benidito
É verde o Caramuru
Azul é o Peroá:
A fé tem a cor da voz que louvar"
(composição Edvan freitas)


Ficha Técnica
Texto : Saulo Ribeiro e Nieve Matos
Direção: Nieve Matos

Elenco: cleverso guerrera, Fabricia dias, Luiza Vitorio
Nicolas Corres lopes, Vanessa Biffon, Roberta Portela, Max Goldner, Josué Fernandes

Figurino: Antonio Apolinário
Trilha sonora: Edvan freitas

Preparação corporal: Cleverson guerrera

Relato de Marilda Maracci


Peroás e Caramurus - Uma saga da Ilha. Apresentação no calçadão da rua Sete.

Sei que elogios de amigos são suspeitos, mas eu não escreveria nada ou apenas “parabéns pelo espetáculo” se não tivesse gostado muito. Falo como público comum que não tem a dimensão técnica do barato teatral. Como geógrafa que sou, faço meu comentário como um perfil topográfico, num mapeamento por varredura, identificando os picos do relevo (rs!). A peça prende, envolve, descontrai, emociona, entra... e dá pra assistir de qualquer ângulo (rsrsrs!)... Inteligência sem prescindir do inteligível, uma certa sutileza crítica ou um subtexto da peça que se percebe particularmente na interpretação dos atores, em especial nas caras e bocas...rsrs!

Tema territorial (digo território como mais que superfície, como biodiversidade + cultura), o público se reconhece, abordando um conflito que permite a trans-espaço-temporalidade (a colonialidade, inclusive local, e a resistência também local pelo recorte do conflito ritual-religioso, numa “contação” de uma história que atualiza questões atuais (rs!) como a dominação e a intolerância e, no mesmo tempo e lugar desvela estratégias como a aparente conciliação entre as irmandades como forma de resistência identitária (bem, essa é minha interpretação dessa história). Como os povos no chamado Brasil souberam e sabem fazer isso!!! Nisso a música entra com força junto com a batida dos pés na afirmação de que “São Benedito é preto” (momento emocionante esse, de ‘agüinha’ nos olhos e tudo!!! e por todas essas coisas mesmo! Salve Edvan!). Eu “ainda diria mais, mas a canção tem que acabar...” rs!!! Parabéns pelo espetáculo, Nieve, Saulinho, Edvan e atores!!!... e eu, público, agradeço!

(Marilda é doutora em Geografia pela Universidade Federal Fluminense )