"" A Poesia quando chega ...""

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Vitória, Espirito Santo, Brazil
""Eu vivo em carne viva, por isso procuro tanto dar pele grossa a meus personagens. Só que não agüento e faço-os chorar à toa.(...) Ser cotidiano é um vício. O que é que eu sou? sou um pensamento. Tenho em mim o sopro? tenho? mas quem é esse que tem? quem é que fala por mim? tenho um corpo e um espírito? eu sou um eu? "É exatamente isto, você é um eu", responde-me o mundo terrivelmente. E fico horrorizado"". ("Um Sopro de Vida" , Clarisce Lispector)

sábado, 15 de janeiro de 2011

Sobre R.S

Sobre R.S


O reconhecimento

Estava lá parado e acompanhado.
O trem atrasado. Sempre atrasado.
Ao lado dele uma mulher de olhar maternal e eu o olhando já com meu costumeiro olhar Eros.
O vermelho da camisa em contraste com os leves cachos dourados.

Eu o vi, mas ele a mim não conheceu. Por que essas coisas que acontecem tomam conta do imaginário da gente? Sei que meu pensamento foi invadido pela súplica inocente: “Ele tem de reaparecer”.

Na estação mineira o trem apitava anunciando o desencontro e no percurso para minha terrinha natal o calor atravessava a janela me fazendo desmanchar e em minha mente a imagem se construía entre as ondas da praia que desejava me lançar e os olhos castanhos do desconhecido, que me transportavam pra beira da minha cama.

Meu desejo aqui não é narrar a odisséia que povoou nosso reencontro, ou melhor, nosso primeiro encontro. Contento-me em esclarecer que ele reapareceu. De vermelho, menos cachos dourados, músico e portador de um cheiro muito atraente. Não me refiro a cheiro no sentido de perfume, mas de epiderme lavada numa libido que impreguina. E seus olhos castanhos quebraram em mim como onda furiosa. E na noite de sua presença eu o vi tocar e desejei ser a canção, a métrica e a curva melódica de sua percussão, mas não fui.

Para ser justa digo que ele tornou a aparecer. Mas não simples acontecimento, pois me acometo a dizer que neste dia de fato ele me viu, reconheceu. Eu exposta, exausta e absorta com a imagem ora iluminada pelo sol, ora adoçada pelas árvores que circundam a praça onde estávamos. Vestia amarelo. Abraçou-me. Novamente a epiderme em flores. E o pensamento de minha parte: “Eu o desejo pra mim”.

O entrelaçamento

Mas uma noite sem sono pra fugir dos pesadelos e me permitindo ser acompanhada pelos amigos online. Como me faz falta a carta, o bilhete e a presença. Na noite tudo é abandono e busca desenfreada para conte-lo. Busca nada. Mas esses são segredos que não revelo a ninguém. Gosto de sentir que algo só a mim pertence. E novamente ele invadiu meu pertencimento e não silenciei segredos.

Uma vampira e um lobisomem traçavam-se por palavras, devoravam-se em ausência de olhar. Eu sanguinária sugava-lhe o sangue pela conexão banda larga, logo eu que de boa farsante virei nada e deixei claro minha ambição em encontrá-lo emergencialmente

Vivos e juntos nos devoraram, com ímpeto e impulso criativo o ébrio, os braços, as línguas e olhos almagamados. Senti-me tão dele e tão protegida, constante em ações. Sóbria apenas na partida.

Chego em casa, um banho morno e o pensamento a infligir a regra do silêncio que amanhece : “ Eu quero mais”.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

automação dos meus anseios.

 

Sonhei em plena luz do dia. Meus olhos abertos e tua imagem como cortina escondendo a automação dos meus anseios.

Eu penso nas delícias e extensões da sua pele
me inundo no anseio destes teus beijos invasivos...
Tento me concentrar no inevitável e você me invade o pensamento e transfere seu aroma para meu mundo. Assim, sem ao menos querer.

Por onde nadas meu doce olhar?
Pra quem sorri sorriso meu?
Seus cabelos não me devoram mais.
As madrugadas me devoram...
Sua pele me invade.
Penetro a emergencia mergulhada na xícara
Mas não leio você na borra do café.
(...)

Fabrícia Dias

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Mente rascunho

Sinto um leve toque do tempo sobre meus olhos. 
Eu e minhas margens traspassadas.
Minha mente rascunho.
E este peso forte da sua ausência contida nesta poesia nada.
Neste verso amassado, sem glossário e sem tradução.

Fabrícia Dias

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Apresentação PEROÁS E CARAMURÚS no Festival : 13/10/2010

VI Festival de Teatro tem início com peça ao ar livre na Praça Costa Pereira

Carlos Antolini
Diversas pessoas na Praça Costa Pereira assistindo peça de teatro
A Praça Costa Pereira parou para assistir ao espetáculo, que retrata uma história tradicional de Vitória
Peça de teatro sendo encenada da Praça Costa Pereira
A peça conta a rivalidade entre as irmandades de São Benedito do Rosário, os Peroás; e São Benedito do Convento de São Francisco, os Caramurus
Um santo e duas congregações religiosas. Peroás e Caramurus – Uma Saga da Ilha, de autoria dos dramaturgos capixabas Saulo Ribeiro e Nieve Matos, utiliza o teatro de rua e diversas vertentes estéticas para contar de forma lúdica um fato histórico ocorrido em Vitória.
A peça abriu as atividades do VI Festival Nacional de Teatro Cidade de Vitória na Praça Costa Pereira às 12h. O Festival começou nesta segunda (13) e se estende até o dia 24, com programação gratuita em teatros e espaços alternativos da Capital. São 32 espetáculos para assistir num total de 43 apresentações.
Peroás e Caramurus
A peça conta como surgiram as irmandades de “São Benedito do Rosário”, vulgo Peroás; e “São Benedito do Convento de São Francisco”, os Caramurus. Tudo por causa do roubo da imagem de São Benedito que, por causa da chuva, não pôde sair na procissão.
Para a diretora da peça, Nieve matos, abrir o VI Festival Nacional de Teatro Cidade de Vitória é motivo de orgulho. Ela também salienta a importância do evento para o teatro capixaba. “Nós temos a necessidade de ver espetáculos de outros lugares. É um aprendizado em termos de linguagem cênica”, diz.
O funcionário público Leonardo Viza, 24 anos, gostou de ver uma peça de teatro na rua sendo a primeira do Festival. “Valorizar o teatro na rua e, principalmente, os espetáculos locais é sempre positivo”, destaca. A empresária Naiara Roncarati, 30 anos, foi à Praça Costa Pereira só para assistir à peça. “É interessante oferecer esse tipo de atividade teatral tão acessível, acho importante para a divulgação das peças locais e para a formação de público também”, sublinha.
O secretário de Cultura de Vitória, Alcione Pinheiro, convidou as pessoas para acompanharem a programação do Festival ao longo dos 11 dias de atividade. E lembrou que a programação também é feita de atividades formativas, como as palestras e oficinas. “O Festival de Teatro é um espaço de construção e consolidação das artes cênicas em Vitória”.
Matéria da página da Prefeitura de Vitória : http://www.vitoria.es.gov.br/secom.php?pagina=noticias&idNoticia=4608

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Peroás e Caramurus abre Festival Nacional de Teatro "Cidade Vitória"


Peroás e Caramurus abre Festival Nacional de Teatro "Cidade Vitória". Dia 13/10, as 12h. Na Praça Costa Pereira. Prestigiem o Teatro Capixaba!

Peroás e Caramurus!!!!



O espetáculo de Rua ''PEROÁS E CARAMURUS: Uma Saga da Ilha"" é autoria dos dramaturgos capixabas Saulo Ribeiro e Nieve Mattos.


"" Na Saga do processo de criação cênica, entramos no mar da ludicidade.Decodificamos a história real, amplificamos as ações dos atores, pensamos música enquanto partitura corporal, figurino como expansão do corpo.
Jogamos nossa rede(...) pescamos o realismo fantástico e a estética barroca, a polifonia das vozes e dos instrumentos não-convencionais, a resignificação do espaço e dos objetos de cena, o dramático e o distanciamento atoral.""

"É preto São Benidito
É verde o Caramuru
Azul é o Peroá:
A fé tem a cor da voz que louvar"
(composição Edvan freitas)


Ficha Técnica
Texto : Saulo Ribeiro e Nieve Matos
Direção: Nieve Matos

Elenco: cleverso guerrera, Fabricia dias, Luiza Vitorio
Nicolas Corres lopes, Vanessa Biffon, Roberta Portela, Max Goldner, Josué Fernandes

Figurino: Antonio Apolinário
Trilha sonora: Edvan freitas

Preparação corporal: Cleverson guerrera

Relato de Marilda Maracci


Peroás e Caramurus - Uma saga da Ilha. Apresentação no calçadão da rua Sete.

Sei que elogios de amigos são suspeitos, mas eu não escreveria nada ou apenas “parabéns pelo espetáculo” se não tivesse gostado muito. Falo como público comum que não tem a dimensão técnica do barato teatral. Como geógrafa que sou, faço meu comentário como um perfil topográfico, num mapeamento por varredura, identificando os picos do relevo (rs!). A peça prende, envolve, descontrai, emociona, entra... e dá pra assistir de qualquer ângulo (rsrsrs!)... Inteligência sem prescindir do inteligível, uma certa sutileza crítica ou um subtexto da peça que se percebe particularmente na interpretação dos atores, em especial nas caras e bocas...rsrs!

Tema territorial (digo território como mais que superfície, como biodiversidade + cultura), o público se reconhece, abordando um conflito que permite a trans-espaço-temporalidade (a colonialidade, inclusive local, e a resistência também local pelo recorte do conflito ritual-religioso, numa “contação” de uma história que atualiza questões atuais (rs!) como a dominação e a intolerância e, no mesmo tempo e lugar desvela estratégias como a aparente conciliação entre as irmandades como forma de resistência identitária (bem, essa é minha interpretação dessa história). Como os povos no chamado Brasil souberam e sabem fazer isso!!! Nisso a música entra com força junto com a batida dos pés na afirmação de que “São Benedito é preto” (momento emocionante esse, de ‘agüinha’ nos olhos e tudo!!! e por todas essas coisas mesmo! Salve Edvan!). Eu “ainda diria mais, mas a canção tem que acabar...” rs!!! Parabéns pelo espetáculo, Nieve, Saulinho, Edvan e atores!!!... e eu, público, agradeço!

(Marilda é doutora em Geografia pela Universidade Federal Fluminense )

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Conferência reúne arte e informação!


Arte... Direitos humanos
Por Luiza Rosario

“Preciso falar. Acreditem... Alguma coisa dentro da minha cabeça um troço difícil de explicar. Como uma voz vinda de longe... E que só pudesse ser ouvida aqui dentro... Essa voz me disse que não era justo calar. Que o a que tava acontecendo tinha que ser posto pra fora...”
(Netto, João Ribeiro Chaves - Patética)

Essa voz que grita de nosso peito e salta ao corpo é a voz de indignação, ação, e ligação direta que os meios artísticos têm a sociedade  aos direitos instituídos e a liberdade. Voz traçada pelo mesmo impulso (creio) foco de inspiração de artistas como Chico Buarque com suas letras e musicas, com a intenção (creio) de levar aos berros artísticos o conhecimento da barbárie e caos de uma sociedade subjugada e que pouco conhece às vezes ignora seus direitos legais.

A “Conferencia os direitos humanos na atualidade e a arte com isso” vêm com o objetivo de colocar em discussão a relação que a arte tem com os direitos humanos com o intuito de unir num só debate artistas, sociedade, e profissionais das áreas de sociologia, políticas, humanas para que possamos não só aprender e conversar, mas também analisar com fatos o panorama e a relação que este estado tem com tema tão questionador e em plena evolução para um levantamento e conhecimento especifico com a liberdade que nos foi assinada pela Declaração dos Direitos Humanos, gerando aos participantes reflexões, e quem sabe um impulso para mudanças, e deixando as claras o lado mais latente e muito esquecido das artes, que é o lado critico, político, e em movimento com a sociedade, não só o proporcionar lazer e entretenimento.

Programação:

15h _ Abertura com oficina “PRÉ-EXPRESSIVIDADE” oferecida pelo Grupo Híbridos de Teatro. Inscreva-se pelo e-mail híbridosdeteatro@yahoo.com.br. Vagas limitadas!

18:30h _ Mesa e debate da temática: “Direitos humanos na atualidade e a Arte com isso?”

21h _ Apresentação do grupo Barulho de Torresmo e Grupo Cultural da Comunidade Helênica do ES.

Conferencistas:


Ø      Mauro Petersem Domingues: Sociólogo (UFRJ) e Cientista Político (IUPERJ), professor do Departamento de Ciências Sociais da UFES, responsável, dentre outras, pela disciplina "Instrumentalização para o Ensino de Ciência Política" onde se enfatiza a Educação em Direitos Humanos.

Ø      Fábio do Carmo: Bacharel em Música (UFMG) e professor do Circuito Cultural de Vitória em 5 edições; Professor de música do PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil), da Casa de Passagem e do PROJOVEM ADOLESCENTE da Prefeitura Municipal da Serra. Atua como músico em diversos grupos da grande Vitória-ES.

Ø      Luiz Inácio: Coordenador do Fórum Nacional de Juventude Negra (FONAJUNE), Coordenador do Fórum Estadual de Juventude Negra (FEJUNES), Secretário-executivo do Conselho Estadual dos Direitos Humanos e Estudante de Direito.

Local: Rua da Grécia, 228 _ Barro Vermelho, Vitória
(avenida ao lado do Carrefour, sentido Praia do canto/ barro Vermelho)


Contatos:
(27) 8177-0279 / 9282-8050/ 3222-5124

Visite os Blogs: hibridosdeteatro.blogspot.com
                           hibridosdeteatro.wordpress.com


Apoios:

Centro de Cultura Grega
Grupo Híbridos de Teatro
Max Goldner

quinta-feira, 1 de julho de 2010


Eu me abandono.
Deixo o corpo entregue as traças. Me esqueço.
A poeira cobre meus olhos.

A sábia poesia me pergunta: _ Você sabe o que esta fazendo menininha?
Parece que já sabia a resposta : _ Repouso esta minha alma gasta de muitas viagens. Tão gasta quanto estas sandálias. Cansei-me da caminhada.
E a poesia: _ Mais que isso jovem infante! Estais a repousar a própria vida. Pois te digo criaturinha: o tempo não perdoa o poeta e há dias em que, empoeirados os olhos não se abrem mais.

Eu me recolho.
Devoro as traças. Me recordo.
A poesia cobre meus olhos.

domingo, 13 de junho de 2010

Mágoas


As mágoas que levo no peito, as peles secas, os olhares fragmentados dos olhos que quase não são meus.

O que sobrou da criança que brincava no quintal, com os amigos.Araçaúna madura, carambola do pé...

Onde foi parar o riso da boca larga. Parece não querer mais servir a alegria esta bocarra.



(pintura do muralista Diego Rivera)

O dia clareava com lua sempre quando eu era menina.Agora só vejo noite escura.

Eu ouvia discos na sala, mamãe chorava no quarto. Comíamos gemada...Ha! A vida era doce, feria às vezes, mas mesmo assim era gentil.

Me apaixonava pelo primo, banhos de cachoeira, bolo de avó.
Todos dormem e eu fico acordada.Me abandono na madrugada.

Batem à porta ...Por diabos atendi?

Era pra ser noite casual. Tornou-se noite onde enterro mas um fragmento do meu olhar.O poeta me iludiu.Pasárgada não existe mesmo!

                                                                                   por Fabrícia Dias


sexta-feira, 30 de abril de 2010

Eu bebo o tempo


Eu me cansei
cansei desta vida, do meio e do fim
Abri a janela da cobertura e saltei num mergulho sem volta
estou em um lugar onde eu não caibo
Não há lugar dentro de mim onde eu possa ter descanço
Descobri o significado utópico da palavra paz
Abri o limite do asfalto frio e desci mais um pouco
me infiltrei nos esgotos sujos e sombrios do meu eu-lírico
Arrotei palavras infames: justiça, calmaria,compreensão
Bebi do nojo que é o tempo, envelheci
E não podendo ir mais fundo que os homens preveem
inventei a válvula de escape
flutuei até o inferno dos homens que não creem em  imagens
abracei tantos tolos que assim como eu beberão o tempo
Lá não tinha paz, nem justiça,nem calma e tão pouco compreensão
Comi meus erros e saboreei minhas memórias numa calda de manjar
Porque bebi o tempo como se fosse um último e saboroso Martine rosê
rompi o desejo  de me acalentar.

Fabricia Dias/ 01/05/2010

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Dieymes Pechincha. diz:















É Bobagem?
Medo não é o obstáculo
Obstáculo é a mentalidade fechada
Vencida por cansaço ou fraqueza
Que seja fraca!
Mas não nos abandone
Não a nós, que bebemos e comemos do mesmo pão...
Dividimos dos mesmos desconfortos
Já esqueceu que você também é soldado?
Independente de estar em campo ou não
Fora de campo você assiste os seus amigos
“Lutarem em vão”
É bobagem?
É idiotice?
Já pensou que são os seus?
Ali se expondo
Sujeitos a pedras, tomates e cuspe na cara.
E você sorri, e diz que não é com você!
É repugnante o seu olhar.
Dá-me nojo...
Mas não deixei de amar você
Ainda lutamos por nós
Mesmo sem teu apoio
Uma pena!
Tenho pena dos homens que perderam os sentidos.
Olham e não reagem...
E depois dizem em salas, quartos, e bares...
“Eu te amo”


domingo, 25 de abril de 2010

MENINOS SÃO JOSÉ de Eliza Lucinda

MENINOS SÃO JOSÉ


Toda criança me arrebata,
toda criança, por me olhar,
me arregaça as mangas do amor
e dele, desse amor,
morro de emoção.

Há nisso mais do que o fato
de criança ser igual flor,
mais do que criança ser da vida
a metáfora das coisas
e seu verdadeiro valor.

Vejo José pousando sobre a casa
as asas dele mudam o episódio lar.
Abraço o José em todo riso
e mesmo quando não o tenho no
colo todo o tempo...
evento de criança soprando a casa!

Eu fico com as pernas bambas
quando quem me aponta é uma criança.
José é Júlia, também Carolina, também Pedro, também Clara,
também Olívia, também Antônio, também Valentina, também Lina,
também João,também Luíza, também Nicolau, também Juliano,
Guilherme, Diogo, Jonas, Mayara, Vinícius, Leon, Natassia,
José é todas as galáxias de meninos,
porque são só verdades,
belas verdades,
límpidas eternidades,
futuros mundos.

Belas!
Tenho vontade de defendê-las
das injustiças dos ditos maiores,
dos esticados que,
aprisionados,
querem aprisionar.

Por todo o sempre e agora,
toda criança quando chora,
respondo- que foi?
Quem não te tratou direito?
(Toda criança quando chora
acho que me diz respeito.)

Quero as palavras delas,
a nitidez sublime das conversas
delirantes e sábias,
quero os descobrimentos que trazem
em sua transparência natural!

José voa na casa e eu pulso
no ventre como uma grávida perene, meu Deus,
(todo filho do mundo
é um pouco filho meu!)


Como me amolece o coração
barulho som de grito de infância
no colégio de manhã!
Como é, para o meu frio, lã
uma mãozinha pequenina
dizendo pra mim dos caminhos...,
elazinha dentro da minha,
como o dia carregando a noite e seu luar,
e aquela vozinha sem gastar,
me pedindo com carinho e desamparo:
me leva lá?


Não mimem crianças ao invés de amá-las,
para não adoecê-las
para não encouraçá-las!
Não oprimam crianças na minha frente,
vou interferir, vocês vão se danar,
vou escancarar!

Não usem criança na minha presença,
tomarei o partido delas,
não terão minha parcimônia,
não vou compactuar!
Não cunhem nelas a tirania,
eu vou denunciar!

Sou maternal de universo,
mil crianças caminham comigo!
Sou árvore cuja semente
se chama umbigo.
Ai... toda criança
quando grita mamãe,
respondo: que foi?
(Acho que é comigo!)

Elisa Lucinda livro “A fúria da beleza”. Editora Record -2006

O Casamento...fim da Primeira Temporada....

terça-feira, 2 de março de 2010

""Patética"" volta em temporada na Escola de Teatro e Dança Fafi



O espetáculo Patética volta em temporada em Março de 2010.
As apresentações marcam o nascimento do Grupo Híbridos de Teatro formado por alunos da Escola de Teatro e Dança Fafi - ES.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Carnaval de Vix...Bloco dos Artistas...2010

Todos as anos o Carnaval de Vitória conta com a presença de vários blocos de rua e nesta festa a presença dos Artistas é tradicional.Bloco dos Artistas para os intimos ou "Corso Carnavalesco" a verdade é uma só e que eu tive a honra, e de certa forma até me emocionei em escutar de uma das cenógrafas mais produtivas do Estado, Ana Tereza Huapaya: 

"- Hoje nós mostramos ao povo o quem somos:artistas. Não é fantasia...nós somos isso o ano inteiro." 

Bem, acho que foi mais ou menos isso, pois eu estava escutando disfarçadamente...rsrsrsrs E nisso consiste nossa arte.Em nos fazermos diversos, sem deixarmos de ser nós mesmos.
Eu e minhas inseparáveis amigas Luiza Rosario e Simone Aliguieri

domingo, 14 de fevereiro de 2010

sábado, 6 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Ressacada...por Fabricia Dias



















As vezes fico de cabeça tonta... As vezes nem posso ficar. Se me pergunto como consegui levantar de minha cama quente pela manhã,na certa, volto a deitar.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Se for pra te incendiar, eu te empresto essa chuva....


Hemisfério - música do Vanguart

Composição: Helio Flanders

Esquenta o coração refeito
Espero poder te tocar
O que havia entre nós dois foi
Tiroteio e espinho canção
Eu cederia aos teus pecados
Se acaso quisesse chorar
E eu daria os mesmos passos
Só me salvo com a arma na mão
Pesa mais que um hemisfério
É usar o teu vestido
Te trazer pra perto
Bordar as tuas iniciais
No cais dos meus braços
Liberdade pra quem queria
Só suas grades e tua avenida
A falta é irresponsável
Se for pra te incendiar
Eu te empresto essa chuva
Divido o rio que eu tiver
Esqueço a cidade que queima depois
Você fingindo ser doloroso
E eu lembrando do céu
Do mesmo abismo que vim, voltarei
Baculejado de dor e de tempestade
De tempestade

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Explodir-me


Explodir-me


Quando eu explodir, por favor, não interrompa.

Deixe que minha alma transcenda ao corpo

Que meus olhos queimem e a boca babe.

E se o fluxo da explosão não cessar
Que todos se afastem e protejam as casacas.

Farei lançar ensangüentados meus órgãos e viceras
Meus ossos frágeis e músculos fundamentais.

Pois se explodo a mim mesma é fuga.
È também proteção ao alheio
Pois se explodo a mim,no íntimo,explodo a um terceiro.
(por Fabricia Dias)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

( Foto do processo de montagem do espetáculo "O Casamento". Estréia 27 e 28/02 Teatro do Sesi).


Mulher de gigolô
(Maria do Carmo Lobato)
Meu macho, comigo vem,
Com força bruta e arguta,
Vem penetrar na tua puta,
Fazer o que te convém.

Pois sabes que nesta luta
De amor dentro do meu peito,
Sempre foste meu eleito.
Fostes sempre o meu batuta.

Eu te entrego nas quebradas
Meu corpo e minh'alma errada,
Te possuo com loucura,
Te exponho minha fratura.

Te convido pr'uma farra,
Te agarro com minha garra,
Em ti grudo feito sarna,
Te prendo com a minha arma.

E te digo: este amor é meu Karma,
Que com prazer vou cumprir,
Sem dele fazer alarma
Pra só contigo dormir.





domingo, 3 de janeiro de 2010

Vou-me Embora pra Pasárgada...



Vou-me Embora pra Pasárgada


Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que eu nunca tive

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
(Manoel Bandeira)

Peroás e Caramurus!!!!

















O espetáculo de Rua ''PEROÁS E CARAMURUS: Uma Saga da Ilha"" é autoria dos dramaturgos capixabas Saulo Ribeiro e Nieve Mattos.


"" Na Saga do processo de criação cênica, entramos no mar da ludicidade.Decodificamos a história real, amplificamos as ações dos atores, pensamos música enquanto partitura corporal, figurino como expansão do corpo.


Jogamos nossa rede(...) pescamos o realismo fantástico e a estética barroca, a polifonia das vozes e dos instrumentos não-convencionais, a resignificação do espaço e dos objetos de cena, o dramático e o distanciamento atoral.""



"É preto São Benidito
É verde o Caramuru
Azul é o Peroá:
A fé tem a cor da voz que louvar"
(composição Edvan freitas)


Ficha Técnica

Direção: Nieve Matos

Elenco: cleverso guerrera, Fabricia dias, Luiza Vitorio
Nicolas Corres lopes, Vanessa Biffon, Roberta Portela, Max Goldner, Josué Fernandes

Figurino: Antonio Apolinário

Trilha sonora: Edvan freitas

Preparação corporal: Cleverson guerrera

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009




Não há vagas


O preço do feijão

não cabe no poema. O preço

do arroz

não cabe no poema.

Não cabem no poema o gás

a luz o telefone

a sonegação

do leite

da carne

do açúcar

do pão.

O funcionário público

não cabe no poema

com seu salário de fome

sua vida fechada

em arquivos.

Como não cabe no poema

o operário

que esmerila seu dia de aço

e carvão

nas oficinas escuras

– porque o poema, senhores,

está fechado: “não há vagas”

Só cabe no poema

o homem sem estômago

a mulher de nuvens

a fruta sem preço

O poema, senhores,

não fede

nem cheira.


(Ferreira Gullar)