"" A Poesia quando chega ...""

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Vitória, Espirito Santo, Brazil
""Eu vivo em carne viva, por isso procuro tanto dar pele grossa a meus personagens. Só que não agüento e faço-os chorar à toa.(...) Ser cotidiano é um vício. O que é que eu sou? sou um pensamento. Tenho em mim o sopro? tenho? mas quem é esse que tem? quem é que fala por mim? tenho um corpo e um espírito? eu sou um eu? "É exatamente isto, você é um eu", responde-me o mundo terrivelmente. E fico horrorizado"". ("Um Sopro de Vida" , Clarisce Lispector)

quinta-feira, 1 de julho de 2010


Eu me abandono.
Deixo o corpo entregue as traças. Me esqueço.
A poeira cobre meus olhos.

A sábia poesia me pergunta: _ Você sabe o que esta fazendo menininha?
Parece que já sabia a resposta : _ Repouso esta minha alma gasta de muitas viagens. Tão gasta quanto estas sandálias. Cansei-me da caminhada.
E a poesia: _ Mais que isso jovem infante! Estais a repousar a própria vida. Pois te digo criaturinha: o tempo não perdoa o poeta e há dias em que, empoeirados os olhos não se abrem mais.

Eu me recolho.
Devoro as traças. Me recordo.
A poesia cobre meus olhos.

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