" Neste espaço coloco um pouco de duas coisas que alimentam minha alma: Teatro e poesia"
"" A Poesia quando chega ...""
- Fabricia Dias
- Vitória, Espirito Santo, Brazil
- ""Eu vivo em carne viva, por isso procuro tanto dar pele grossa a meus personagens. Só que não agüento e faço-os chorar à toa.(...) Ser cotidiano é um vício. O que é que eu sou? sou um pensamento. Tenho em mim o sopro? tenho? mas quem é esse que tem? quem é que fala por mim? tenho um corpo e um espírito? eu sou um eu? "É exatamente isto, você é um eu", responde-me o mundo terrivelmente. E fico horrorizado"". ("Um Sopro de Vida" , Clarisce Lispector)
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Conferência reúne arte e informação!
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Eu me abandono.
Deixo o corpo entregue as traças. Me esqueço.
A poeira cobre meus olhos.
A sábia poesia me pergunta: _ Você sabe o que esta fazendo menininha?
Parece que já sabia a resposta : _ Repouso esta minha alma gasta de muitas viagens. Tão gasta quanto estas sandálias. Cansei-me da caminhada.
E a poesia: _ Mais que isso jovem infante! Estais a repousar a própria vida. Pois te digo criaturinha: o tempo não perdoa o poeta e há dias em que, empoeirados os olhos não se abrem mais.
Eu me recolho.
Devoro as traças. Me recordo.
A poesia cobre meus olhos.
domingo, 13 de junho de 2010
Mágoas
As mágoas que levo no peito, as peles secas, os olhares fragmentados dos olhos que quase não são meus.
O que sobrou da criança que brincava no quintal, com os amigos.Araçaúna madura, carambola do pé...
Onde foi parar o riso da boca larga. Parece não querer mais servir a alegria esta bocarra.
(pintura do muralista Diego Rivera)
O dia clareava com lua sempre quando eu era menina.Agora só vejo noite escura.
Eu ouvia discos na sala, mamãe chorava no quarto. Comíamos gemada...Ha! A vida era doce, feria às vezes, mas mesmo assim era gentil.
Me apaixonava pelo primo, banhos de cachoeira, bolo de avó.
Todos dormem e eu fico acordada.Me abandono na madrugada.
Batem à porta ...Por diabos atendi?
Era pra ser noite casual. Tornou-se noite onde enterro mas um fragmento do meu olhar.O poeta me iludiu.Pasárgada não existe mesmo!
por Fabrícia Dias
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Eu bebo o tempo
Eu me cansei
cansei desta vida, do meio e do fim
Abri a janela da cobertura e saltei num mergulho sem volta
estou em um lugar onde eu não caibo
Não há lugar dentro de mim onde eu possa ter descanço
Descobri o significado utópico da palavra paz
Abri o limite do asfalto frio e desci mais um pouco
me infiltrei nos esgotos sujos e sombrios do meu eu-lírico
Arrotei palavras infames: justiça, calmaria,compreensão
Bebi do nojo que é o tempo, envelheci
E não podendo ir mais fundo que os homens preveem
inventei a válvula de escape
flutuei até o inferno dos homens que não creem em imagens
abracei tantos tolos que assim como eu beberão o tempo
Lá não tinha paz, nem justiça,nem calma e tão pouco compreensão
Comi meus erros e saboreei minhas memórias numa calda de manjar
Porque bebi o tempo como se fosse um último e saboroso Martine rosê
rompi o desejo de me acalentar.
Fabricia Dias/ 01/05/2010
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Dieymes Pechincha. diz:
É Bobagem?
Medo não é o obstáculo
Obstáculo é a mentalidade fechada
Vencida por cansaço ou fraqueza
Que seja fraca!
Mas não nos abandone
Não a nós, que bebemos e comemos do mesmo pão...
Dividimos dos mesmos desconfortos
Já esqueceu que você também é soldado?
Independente de estar em campo ou não
Fora de campo você assiste os seus amigos
“Lutarem em vão”
É bobagem?
É idiotice?
Já pensou que são os seus?
Ali se expondo
Sujeitos a pedras, tomates e cuspe na cara.
E você sorri, e diz que não é com você!
É repugnante o seu olhar.
Dá-me nojo...
Mas não deixei de amar você
Ainda lutamos por nós
Mesmo sem teu apoio
Uma pena!
Tenho pena dos homens que perderam os sentidos.
Olham e não reagem...
E depois dizem em salas, quartos, e bares...
“Eu te amo”
domingo, 25 de abril de 2010
MENINOS SÃO JOSÉ de Eliza Lucinda
Toda criança me arrebata,
toda criança, por me olhar,
me arregaça as mangas do amor
e dele, desse amor,
morro de emoção.
Há nisso mais do que o fato
de criança ser igual flor,
mais do que criança ser da vida
a metáfora das coisas
e seu verdadeiro valor.
Vejo José pousando sobre a casa
as asas dele mudam o episódio lar.
Abraço o José em todo riso
e mesmo quando não o tenho no
colo todo o tempo...
evento de criança soprando a casa!
Eu fico com as pernas bambas
quando quem me aponta é uma criança.
José é Júlia, também Carolina, também Pedro, também Clara,
também Olívia, também Antônio, também Valentina, também Lina,
também João,também Luíza, também Nicolau, também Juliano,
Guilherme, Diogo, Jonas, Mayara, Vinícius, Leon, Natassia,
José é todas as galáxias de meninos,
porque são só verdades,
belas verdades,
límpidas eternidades,
futuros mundos.
Belas!
Tenho vontade de defendê-las
das injustiças dos ditos maiores,
dos esticados que,
aprisionados,
querem aprisionar.
Por todo o sempre e agora,
toda criança quando chora,
respondo- que foi?
Quem não te tratou direito?
(Toda criança quando chora
acho que me diz respeito.)
Quero as palavras delas,
a nitidez sublime das conversas
delirantes e sábias,
quero os descobrimentos que trazem
em sua transparência natural!
José voa na casa e eu pulso
no ventre como uma grávida perene, meu Deus,
(todo filho do mundo
é um pouco filho meu!)
Como me amolece o coração
barulho som de grito de infância
no colégio de manhã!
Como é, para o meu frio, lã
uma mãozinha pequenina
dizendo pra mim dos caminhos...,
elazinha dentro da minha,
como o dia carregando a noite e seu luar,
e aquela vozinha sem gastar,
me pedindo com carinho e desamparo:
me leva lá?
Não mimem crianças ao invés de amá-las,
para não adoecê-las
para não encouraçá-las!
Não oprimam crianças na minha frente,
vou interferir, vocês vão se danar,
vou escancarar!
Não usem criança na minha presença,
tomarei o partido delas,
não terão minha parcimônia,
não vou compactuar!
Não cunhem nelas a tirania,
eu vou denunciar!
Sou maternal de universo,
mil crianças caminham comigo!
Sou árvore cuja semente
se chama umbigo.
Ai... toda criança
quando grita mamãe,
respondo: que foi?
(Acho que é comigo!)
Elisa Lucinda livro “A fúria da beleza”. Editora Record -2006
terça-feira, 2 de março de 2010
""Patética"" volta em temporada na Escola de Teatro e Dança Fafi
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Carnaval de Vix...Bloco dos Artistas...2010
domingo, 14 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
sábado, 6 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Ressacada...por Fabricia Dias
domingo, 31 de janeiro de 2010
Se for pra te incendiar, eu te empresto essa chuva....
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Explodir-me
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Com força bruta e arguta,
Vem penetrar na tua puta,
Fazer o que te convém.
Pois sabes que nesta luta
De amor dentro do meu peito,
Sempre foste meu eleito.
Fostes sempre o meu batuta.
Eu te entrego nas quebradas
Meu corpo e minh'alma errada,
Te possuo com loucura,
Te exponho minha fratura.
Te convido pr'uma farra,
Te agarro com minha garra,
Em ti grudo feito sarna,
Te prendo com a minha arma.
E te digo: este amor é meu Karma,
Que com prazer vou cumprir,
Sem dele fazer alarma
Pra só contigo dormir.
domingo, 3 de janeiro de 2010
Vou-me Embora pra Pasárgada...
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que eu nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
(Manoel Bandeira)
Peroás e Caramurus!!!!

O espetáculo de Rua ''PEROÁS E CARAMURUS: Uma Saga da Ilha"" é autoria dos dramaturgos capixabas Saulo Ribeiro e Nieve Mattos.
"" Na Saga do processo de criação cênica, entramos no mar da ludicidade.Decodificamos a história real, amplificamos as ações dos atores, pensamos música enquanto partitura corporal, figurino como expansão do corpo.

Jogamos nossa rede(...) pescamos o realismo fantástico e a estética barroca, a polifonia das vozes e dos instrumentos não-convencionais, a resignificação do espaço e dos objetos de cena, o dramático e o distanciamento atoral.""
Ficha Técnica
Direção: Nieve Matos
Elenco: cleverso guerrera, Fabricia dias, Luiza Vitorio
Nicolas Corres lopes, Vanessa Biffon, Roberta Portela, Max Goldner, Josué Fernandes
Figurino: Antonio Apolinário
Trilha sonora: Edvan freitas
Preparação corporal: Cleverson guerrera
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Não há vagas
O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão.
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
– porque o poema, senhores,
está fechado: “não há vagas”
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira.
(Ferreira Gullar)
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
O Grande Espetáculo 2009
O Grande Espetáculo

Bateram ‘a porta
Senti um assopro profundo
Um quê de fim de mundo
Era eu na corda-bamba
Levaram o palhaço
Romperam a lona
Espancaram o vigia
Era eu no picadeiro
A porra do ingresso esgotou
Todo mundo emocionei
Dancei, chorei
Era eu na cartola do mágico
O mundo caiu
O esplendor escureceu
O rosto desfigurou
O espetáculo acabou.
(Fabricia Dias)
' PATÉTICA'..2009

" Será que poderei dizer como naquele dia? Que é só mais um começo..."
O espetáculo "Patética" teve estréia nos dias 12 e 13 de Dezembro 2009 na Escola de Teatro e Dança FAFI, em Vitória...
A montagem dirigida pelo professor Leonardo Patrocínio é resultado de pesquisa da turma de formandos do Curso de Qualificação Profissional em Teatro.

A PATÉTICA OU UMA PAIXÃO
ENGAJADA
Frios e mudos,
os muros erguem-se;
ao vento, as bandeiras tilintam.
Friedrich Hölderlin
Classificada em primeiro lugar, no VIII Concurso Nacional de Dramaturgia, realizado pelo SNT (Serviço Nacional de Teatro), em 1977, o texto “Patética”, de João Ribeiro Chaves Neto, conforme Fernando Peixoto, “nasce quando o teatro brasileiro está circunstancialmente castrado em seu mais legítimo potencial criativo, amordaçado por uma arbitrária censura que vem regularmente impedindo que dramaturgos e encenadores realizem um esforço crítico conseqüente com a realidade”.
“Patética” – texto confiscado pelos órgãos de segurança – trata do “suicídio” do jornalista Wladimir Herzog, ocorrido em 1975, nas masmorras do DOI-CODI, em São Paulo, na considerada fase mais violenta da repressão militar. Apesar do autor, João Ribeiro Chaves Neto, ser cunhado de Herzog, a elaboração da peça não se trata de uma atitude isolada, considerando que a mesma faz parte de um conjunto de dramaturgos, diretores e grupos que se inserem num movimento teatral comprometido com a resistência ao regime militar de 1964. Na maioria das vezes, apelando para episódios históricos ou situações simbólicas e alegóricas este movimento produziu textos enfatizando a repressão à luta armada, o papel da censura, o arrocho salarial, o milagre econômico e a ascensão dos executivos e a supressão da liberdade. Entre estes também destacamos Oduvaldo Viana Filho, Gianfrancesco Guarnieri, Ruy Guerra, Chico Buarque, João das Neves e tantos outros, sendo alguns ex-integrantes do Centro Popular de Cultura que no momento foi colocado na ilegalidade.
Dividida em dez cenas, “Patética” é uma espécie de teatro no teatro, ou seja, a peça dentro de uma representação que se encerra e se abre num circo que está sendo fechado pela repressão. A partir do jogo de contar uma história onde cada um dos atores assume um ou mais personagens, desenrola-se a trajetória dos Horowitz, um casal de judeus iuguslavos que, chega ao Brasil em 1949 e se estabelece em São Paulo. Acompanham a vida do filho Glauco (Wlado ou Wladimir) que ingressa no jornalismo e passa a ter uma militância política e, tanto pela consciência dos problemas sociais e políticos de sua época, quanto pelo seu destaque na imprensa, acabou preso, torturado e morto na prisão. O chamado “suicídio” de Wladimir Herzog, devido a grande repercussão nos meios de comunicação, é compreendido por alguns analistas como o ponto de onde se inicia todo o processo de abertura política no Brasil.
No caso dessa montagem pelos alunos finalistas do Curso de Qualificação Profissional em Teatro da Escola de Teatro e Dança FAFI, faz parte da disciplina Prática de Montagem II que tem a dramaturgia contemporânea brasileira como critério de escolha de uma obra a ser encenada. E a “Patética” foi eleita em virtude não só da discussão do teatro como um discurso político e a idéia de uma arte engajada, mas também pela essência da palavra que significa uma possibilidade de incitar as paixões e, ainda, por propiciar o exercício do princípio básico de uma montagem: o processo de criação e organização daquilo que foi aprendido e apreendido ao longo do curso, desde a teoria até a prática, passando pela convivência e conscientização do trabalho em equipe e, enfim, pela busca de equilíbrio entre o sonho e a realidade.
Wilson Coêlho
Coordenador de Teatro
Ficha Técnica
Direção: Leonardo Patrocinio
Elenco: André Loureiro, Eleciana Mello, Ericka Shuina, Fabricia dias e Luiza Vitório
Figurino: Regina Shimitt
Maquiagem: Cleverson Guerrera
Designer gráfico; Max Goldner










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